quarta-feira, 27 de maio de 2009

TRABALHO E DOMÍNIO por Rousas John Rushdoony

É um erro sério, mas comum considerar que o trabalho é um aspecto da maldição. A justificação para essa crença é procurada em Gênesis 3.17-19. Contudo, fica claro nessa passagem que é Adão quem está debaixo da maldição, juntamente com Eva. Porque ambos estão debaixo da maldição de Deus por desobediência, cada aspecto de sua vida reflete essa maldição. Dessa forma, as duas grandes alegrias de Eva deveriam ser, como para todas as mulheres, primeiro, seu deleite na proteção, cuidado e senhorio do seu marido, e, segundo, os filhos. Mas essas duas tornaram-se uma fonte de tristeza e perturbação pelo fato do pecado. Adão foi similarmente amaldiçoado; o trabalho e o domínio era o seu chamado, alegria e privilégio. Agora isso tornou-se repleto de frustração e desapontamento. Dessa forma, foram o labor ou chamado do homem e mulher que, por causa do pecado, os frustrou. Esse trabalho e serviço que deveria ser a alegria e privilégio deles, tornou-se em vez disso um desapontamento e tristeza para eles.

O trabalho era central para a criação e natureza do homem. “E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar “(Gn 2.15). A versão Berkeley traduz essa tarefa como “… o cultivar e cuidar” e Moffatt como “… o arar e guardar”. Essa tarefa está inescapavelmente vinculada ao mandato da criação para sujeitar a terra e exercer domínio sobre ela (Gn 1.16, 28). O propósito da criação é estabelecer o homem em seu domínio sob Deus.

O trabalho do homem tem vários aspectos. Primeiro, lavrar a terra é um aspecto do chamado do homem; isso significa sujeitar e desenvolver a terra e trazê-la sob o domínio e serviço do homem. Isso tem implicações amplas. Inclui todo labor manual, agricultura e ciência. O homem exerce seu domínio sobre o mundo sob Deus. Assim como o homem não pode tirar a vida à parte da lei de Deus, visto que Deus somente é o Senhor da vida, assim o homem não pode usar a terra à parte da lei de Deus. Ele deve ser um despenseiro fiel, não um ladrão ou assassino.

Segundo, em Gênesis 2.19 Adão tem um chamado para nomear ou chamar os animais, isto é, entender e classificar a criação ao redor dele. Essa é claramente uma tarefa científica, pelo fato de requerer um entendimento da natureza e classificação das coisas. É uma tarefa religiosa também, visto que o homem deve ver sua relação com a criação animal, seu lugar dado por Deus, e a diferença entre o homem e os animais. Os animais devem ser vistos em relação ao homem, e em relação a Deus e os seus propósitos.

Terceiro, o homem recebeu sua ajudadora apenas após ter sido provado em seu trabalho. Dessa forma, Adão foi considerado pronto para o casamento, não quando estava fisicamente maduro, mas quando teve uma maturidade testada em termos de seu trabalho. Esse conceito foi refletido nos requerimentos hebraicos e mais tarde judeus que o ofício público estava restrito a homens casados que já tinham sido provados pelo trabalho e então pelo casamento. Isso aparece também no requerimento do Novo Testamento que os presbíteros devem ser homens casados (1Tm 3.1-5; 4.3).

Quarto, como temos visto, o trabalho não foi apenas ordenado antes da queda, mas é o chamado do povo de Deus na criação restaurada (Ap 22.3).

A queda significa que o homem, ao invés de exercer domínio sobre a terra, retorna à terra em frustração e morte e torna-se ele mesmo pó ou terra (Gn 3.19). Tendo buscado ser deus por sua rebelião (Gn 3.5), o homem torna-se novamente pó, retornando à terra que ele deveria ter governado sob Deus.

O trabalho em si mesmo não é necessariamente de qualquer significância; o trabalho pode algumas vezes ser usado para degradar e destruir o homem ao invés de promover o seu domínio. Dostoyevsky descreve o efeito devastador do trabalho sem significado; prisioneiros podem ser desmoralizados e humilhados ao exigir-se que eles façam algumas tarefas fúteis, tais como carregar rochas de um amontado até outro, e então carregá-las de volta. O trabalho sem sentido é, dessa forma, alheio e totalmente diferente ao propósito de labor sob Deus.

O trabalho sem sentido não ganha valor por ser um trabalho bem pago. Quando alguns dos mais bem remunerados escritores soviéticos fugiram para a Inglaterra, eles deixaram uma situação de eminência, prestígio e conforto por uma de relativa obscuridade. A recompensa material não podia compensar uma posição desonesta e sem significado, uma aquiescência forçada a um regime odioso. Não há nenhum sentido de domínio em tal trabalho.

Básico para o verdadeiro trabalho é que ele deve promover o chamado do homem para exercer domínio sob Deus. Um homem deve se sentir mais homem por causa do seu trabalho; mais seguro em seu status como cabeça de uma família, um membro da sociedade, e um homem diante de Deus. O trabalho que é estéril em sua relação com o chamado do homem para exercer domínio reduzirá grandemente o homem à impotência de várias formas.

A separação do trabalho do domínio é catastrófico para o homem e a sociedade. Isso leva à doença espiritual do homem e ao declínio de sua cultura. Pode levar, em algumas culturas, à brutalização do homem. À medida que o homem é degradado por seu pecado e sua sociedade pecadora num escravo do trabalho, cujo trabalho é mais cativeiro do que libertação, o homem responde agravando o seu pecado. A resposta do homem ao homem torna-se uma forma de motivos mútuos para degradar e desonrar a outra pessoa.

Em outras ocasiões, a separação do trabalho do domínio leva a uma paralisia moral e religiosa. O homem se torna uma alma doente, de quem todas as respostas é colorida pelo ódio doente de impotência e seu desejo de destruir. Dessa forma, Sartre, em sua peça Le Diable et le bon Dieu, definiu amor como o “ódio do mesmo inimigo”.[1] Tal homem fala muito de amor e futuro, mas seu amor é ódio, e seu futuro é tentativa de destruir o passado.

A separação de trabalho e domínio é inevitável numa sociedade que nega o Deus trino. Tendo negado o seu Deus, tal sociedade tem seu trabalho amaldiçoado e seu desejo de domínio frustrado. Em vez de domínio, ela busca expressão na destruição; em vez de promover a vida, encontra poder na morte.

O exercício de domínio sob Deus é o desenvolvimento do homem e da terra por meio do trabalho para fortalecer, prosperar e elevar a vida e serviço do homem sob Deus. O verdadeiro trabalho e domínio promove a vida e as potencialidades da vida. Material e espiritualmente, a vida do homem é melhorada.

Sempre que o homem busca domínio fora de Deus e sob a maldição, seu trabalho produz morte e destruição. O homem sob maldição trabalha para destruir outros homens e sociedades, e ele mesmo. Ele trabalha destrutivamente também em seu relacionamento com a terra. Uma era que fala muito sobre ecologia é a maior poluidora da terra, e aqueles mais culpados pela poluição falam em alta voz sobre acabar com a poluição, restringir o crescimento da população e financiar tais esforços.[2] De acordo com Burden, “na cidade de Nova Iorque, por exemplo, a despeito da preocupação evidente de John Lindsay e os cartazes nas ruas, a própria cidade continua a ser o pior ofensor contra suas próprias leis de poluição”.[3]

Dessa forma, o trabalho sem Deus é sem domínio e para a destruição. O trabalho sob Deus estabelece o homem em seu domínio ordenado e fornece energia social construtiva. Não é surpresa que a palavra energia venha da palavra grega ergon, a qual significa trabalho. A palavra para domínio no grego é kratus, força, fortaleza, poder, e vem da raiz kra, aperfeiçoar, completar. Criador é provavelmente uma palavra relacionada. Criar vem do latim creatus, creare, criar, e está relacionada ao armênio serem, produzir.[4] O propósito e significado do domínio é produzir o significado e a potencialidade do homem, sua sociedade, e da terra, e completar ou aperfeiçoar os propósitos da criação ordenados por Deus.

Uma sociedade que busca, embora em vão, eliminar o trabalho criando um mundo livre de trabalho, nem escapa da maldição nem ganha qualquer domínio por seus esforços. Em vez disso, tal atitude intensificará a desintegração do homem, pois, embora o trabalho não seja a salvação do homem, o homem cessa de ser homem se separado do trabalho. Não é surpreendente que os homens geralmente morram uns poucos anos após a aposentadoria, não importa a idade com qual se aposentem. Mesmo homens caídos, não importa quanto se irritem com a maldição que molesta seus esforços e trabalho, ainda se preocupam em realizar sua masculinidade e domínio através do trabalho. Separar homens do trabalho é separá-los do significado e da vida. A vida do homem não é definida pela diversão, mas pelo trabalho e domínio. Quando o homem sente que o seu trabalho é fútil, aí a desintegração do homem se torna manifesta.

O homem, contudo, não pode ser definido por sua função; dessa forma, ele não pode ser definido como um animal trabalhador. O trabalho é a função do homem, mas o próprio homem é uma criatura criada à imagem de Deus e, portanto, bem mais que sua função. Um aspecto central dessa imagem é o domínio. O trabalho é o meio pelo qual o homem manifesta, estabelece e desenvolve seu domínio sob Deus. Uma sociedade livre do trabalho será finalmente uma sociedade livre do homem.

A antiga associação Puritana e cristã de trabalho com a natureza do homem ainda sobrevive na América. Um visitante da Inglaterra descreve com certa irritação “o padrão de cantada inicial” dos homens americanos, quer num bar ou festa, ao encontrar desconhecidas; após as introduções serem feitas e um drinque tomado, a conversação real começa com a pergunta: “E o que você faz?”.[5] Ao responder essa pergunta, a estranha é identificada; o trabalho é visto como uma chave para conhecer uma pessoa e classificá-la. A pergunta revela tanto a saúde remanescente da vida americana bem como uma medida de declínio. Numa era antiga, a pergunta acompanhante teria averiguado no que o homem acreditava, isto é, por sua fé e trabalho, ele seria identificado.



NOTAS:



[1] - Citado por Thomas Molnar: Sartre: Ideologue of Our Time, p. 12. New York: Funk & Wagnalls, 1968,

[2] - Veja James Ridgeway: The Politics of Ecology. New York: E. P. Dutton, 1970.

[3] - Curter Burden, “The Economics of Pollution”, Town and Country, vol. 125, no. 4578, Janeiro, 1971, p. 19.

[4] - W. E. Vine: An Expository Dictionary of New Testament Words, p. 332. Westwood, New Jersey: Fleming H. Revell, 1940, 1966.

[5] - Nancy Hawks, “Those Swinging Singles”, em Norman Hill, editor: Free Sex: A Delusion, p. 69. New York: Popular Library, 1971.

Fonte: Revolt Against Maturity, Rousas John Rushdoony, p. 17-21.
24 de maio de 2009

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto, Publicado em 25 de maio de 2009 – 0:44


http://economiareformacional.blogspot.com/2009/05/trabalho-e-dominio-por-rousas-john.html

sábado, 16 de maio de 2009

O Pensamento Judaico-Cristão Sobre o Trabalho

Uma Rápida Viagem Sobre os Conceitos Ligados ao Trabalho no Mundo Ocidental

Introdução - Não um sermão, mas reflexões sobre os conceitos de trabalho que contextualizam a nossa sociedade e a nossa vida pessoal. Somos fruto e gravitamos nas idéias judaico-cristãs que constituem a base da sociedade ocidental.

A civilização oriental possui sua visão própria do trabalho, em dois extremos: elevando-o a razão de ser da própria vida, ou banalizando-o.

Quando a visão é construída a partir da questão da mera sobrevivência, ele perde um sentido todo especial e, principalmente, a atratividade no todo da nossa existência.

1. Mitos Modernos sobre religião e trabalho - No sentido contemporâneo seriam campos que não se misturam. Religião, quando praticada, atenderia as necessidades espirituais das pessoas. Trabalho, atenderia as necessidades materiais. Religião seria um campo opcional. Trabalho, uma tarefa obrigatória, árdua e cansativa - realizada pela necessidade de sobrevivência. Esses mitos partem de construções erradas sobre o que, verdadeiramente, é a religião; sobre o caráter de Deus e suas determinações; e sobre o que é o trabalho.

2. O pensamento Judeu - O Mandato Cultural (No início da história da humanidade Deus indica ao homem o seu comissionamento aqui na terra: Gen. 1.28). José - ocupando posição de mando na corte de Faraó, não descarta a propriedade e dignidade suas funções como executivo de alto escalão. Moisés e o Decálogo - Estabelece o descanso semanal, mas muitos se esquecem do início do Quarto Mandamento: Seis dias trabalharás!Juizes: a questão mais importante para as necessidades materiais era possuir terra e ter paz social, sem inimigos que impedissem o plantio e a colheita, (Juizes 6.3-6). Eclesiastes - futilidade no trabalho fora do contexto religioso; tempo para tudo; situação semelhante à "revolução industrial" - Eclesiastes (Salomão) 5.11, "Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que dele comem". Daniel - trabalho na corte - recrutamento e seleção de executivos. Promessas na Terra Prometida. A palavra dos profetas expressam intensa preocupação com a dignidade do trabalho e com os direitos dos trabalhadores - Jeremias 22.13 ("13 Ai daquele que edifica a sua casa com iniqüidade, e os seus aposentos com injustiça; que se serve do trabalho do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário"); e Malaquias 3.5 ("E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os... que defraudam o trabalhador em seu salário, a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos exércitos") trazem severa condenação para os que não pagam os salários combinados. A falta do salário é equacionada, em Zacarias 8.10, com tempos de provação e de instabilidade institucional quando "cada um está contra o seu próximo" ("Pois antes daqueles dias não havia salário para os homens, nem lhes davam ganho os animais; nem havia paz para o que saia nem para o que entrava, por causa do inimigo"). O Trabalho nunca é "um mal necessário", mas uma atividade dignificante e sagrada.

3. O Pensamento Cristão, no Novo Testamento - Integração. Dá andamento à mensagem recebida dos Judeus. João Batista e as diferentes profissões - (Lucas 3.10-14: Ao que lhe perguntavam as multidões: Que faremos, pois? Respondia-lhes então: Aquele que tem duas túnicas, reparta com o que não tem nenhuma, e aquele que tem alimentos, faça o mesmo. Chegaram também uns coletores de impostos (publicanos) para serem batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos nós de fazer? Respondeu-lhes ele: Não cobreis além daquilo que vos foi prescrito. Interrogaram-no também uns soldados: E nós, que faremos? Disse-lhes: A ninguém queirais extorquir coisa alguma; nem deis denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso soldo). Jesus e a ausência de ansiedade - quanto as coisas materiais, mas envolveu-se a maior parte de sua vida com o trabalho de carpintaria. Paulo - praticante do trabalho (fazedor de tendas) e suas diretrizes: 2 Tess. 3.7-12 ("Porque vós mesmos sabeis como deveis imitar-nos, pois que não nos portamos desordenadamente entre vós, nem comemos de graça o pão de ninguém, antes com labor e fadiga trabalhávamos noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos direito, mas para vos dar nós mesmos exemplo, para nos imitardes. Porque, quando ainda estávamos convosco, isto vos mandamos: se alguém não quer trabalhar, também não coma. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes intrometendo-se na vida alheia; a esses tais, porém, ordenamos e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo que, trabalhando sossegadamente, comam o seu próprio pão"). O texto traz importantes diretrizes sobre a questão do trabalho. Apesar do Apóstolo Paulo estar falando de sua situação específica, e respondendo a algumas críticas levantadas contra a sua pessoa, ele nos diz que o seu modo de proceder foi para "nos oferecer exemplo" (v. 9). Vejamos, portanto, o que ele quer nos ensinar:

i) O propósito principal do trabalho é providenciar a subsistência pessoal e familiar, dentro das responsabilidades individuais, de tal forma que nenhuma pessoa seja pesada a outra (v.8).

ii) A ausência voluntária do trabalho, ou seja, não querer trabalhar, ou não procurar um trabalho, é considerado por Paulo fora da ordem natural das coisas, ou seja, é "andar desordenadamente" (vs. 6 e 11).

iii) A ociosidade gerada pela ausência voluntária de um trabalho leva a outras deficiências. O tempo em abundância faz com que as pessoas se "intrometam na vida alheia" (v. 11).

iv) Se a falta de trabalho for por querer, Paulo nos diz que a pessoa voluntariamente desempregada, deve sofrer as conseqüências de sua própria falta de ação - "se alguém não quer trabalhar, também não coma" (v. 10).

v) A situação ideal, portanto, é que as pessoas "trabalhando tranqüilamente, comam seu próprio pão" (v. 12).

Vemos, assim, que o trabalho é algo que dá dignidade ao homem. É a forma providenciada por Deus para o seu sustento. O trabalho faz com que ninguém seja peso para ninguém, bem como aquele que trabalha não vai precisar da ajuda de outro para sobreviver.

Em outra carta, Paulo, ensina (Efésios 4.28, que diz: "aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado"). O desenvolvimento do pensamento de Paulo é: (1) Furtar é errado; (2) procure trabalhar; (3) Com que propósito? Para que tenha com o que ajudar ao necessitado.

Tiago 5.4 condena aqueles que retêm o salário dos trabalhadores, chamando isso de fraude ("Eis que o salário que fraudulentamente retivestes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos clama, e os clamores dos ceifeiros têm chegado aos ouvidos do Senhor dos exércitos.");

4. O Pensamento Católico Romano - Foi se desenvolvendo principalmente do século IV até o XIV. Isso marca o período de agregação da tradição acima dos textos básicos da Fé, de um crescente misticismo e da criação de uma hierarquia interpretativa das verdades da vida aos fiéis. A filosofia católica encontra sua formalização nos escritos de Tomás de Aquino. Nesses escritos, criou-se um fosso entre o secular e o sagrado. Começam os pensadores Cristãos medievais a se divorciar do conceito tradicional judaico-cristão.

O filósofo Francis Schaeffer identifica esta tendência, apontando com incrível precisão, que a partir de Tomás de Aquino as pessoas foram ensinadas a compartamentalizar a vida sagrada, as coisas sagradas, a esfera religiosa e as coisas seculares, mundanas, pertinentes a esta vida. O envolvimento no trabalho, na sobrevivência, na aquisição de bens, passa a ser uma espécie de "mal necessário". O "summum bonum" do homem passa a ser o envolvimento com o sagrado, em todas as suas formas de misticismo.

A conseqüência disso é que sofre tanto o sagrado (que não tem mais que ser relacionado com a realidade nua e crua da vida) e passa a criar raizes místicas próprias, como o secular (que perde o ethos, a propriedade, a legitimidade). As pessoas passam a se envolver com o secular, com intensos sentimentos de culpa por estarem negligenciado o seu chamado maior, suas atividades principais. A religião se envolve em um mundo próprio, rituais, imagens, língua morta - não inteligível, alienação do intelecto.

5. A reforma do século XVI vem quebrar essa barreira - a integração com o intelecto começa com a tradição, para o vernáculo comum, dos escritos sagrados - a Bíblia é traduzida para o Alemão, por Martinho Lutero.

Em Calvino, a ética do trabalho a visão de que a "vocação" (vocare - chamado) envolve todas as atividades da vida, é pregado à população e praticado por esta. Há a conscientização de que não é pecado procurar o avanço pessoal. O envolvimento no trabalho é uma tarefa abençoada. O progresso individual e da sociedade é tarefa tão sagrada quanto o ir aos encontros dominicais. A adoração a Deus se processa não somente em ritos religiosos, mas na penetração das tarefas diárias e no cumprimento dessas no melhor de nossas habilidades e possibilidades, com a conscientização de glorificar a Deus.

O Pensamento Católico Romano Recente : Mesmo considerando Pio XII que, na década de cinqüenta, escreveu que as grandes corporações deveriam ser mais "parcerias" para que nelas os indivíduos se apoiassem mutuamente. O pensamento Católico Romano só veio a resgatar a legitimidade do trabalho e retornar ao ideário de que deve ser exercitado de forma a preservar a dignidade do homem, com o Papa João XXIII, no início da década de sessenta, em sua encíclica Mater et Magister. Nela ele cita que as corporações e associações, devem sempre levar em consideração este aspecto. Não podem despersonalizar o cooperador nem destruir a sua individualidade. "Justiça deve ser observada não apenas na distribuição da riqueza, mas também com relação às condições sob as quais as pessoas se envolvem em uma atividade produtiva para assumir responsabilidades e para um auto aperfeiçoamento compatível com os seus esforços".

No final da década de sessenta, o Papa Paulo VI, em sua encíclica - Populorum Progressio, aproximou-se mais do conceito bíblico do trabalho. Um trecho do documento diz: "No desígnio de Deus, cada homem tem um chamado para se desenvolver e para preencher os seus anseios, pois cada vida é uma vocação. No nascimento, cada um recebe, como semente, um conjunto de aptidões e de qualidades as quais deve fazer frutificar. Esse conjunto atinge a maturidade como um resultado da educação recebida, de seu meio ambiente e por seus próprios esforços, e permite a cada pessoa dirigir-se a si mesmo em direção ao seu destino, conforme as intenções do Criador. As pessoas recebem inteligência e liberdade [como base] e são auxiliadas ou impedidas por aqueles que detêm a tarefa de educá-las ou por aqueles que com ela convivem. No entanto, em última análise, cada pessoa permanece, independentemente dessas influências, responsável e principal agente de seu próprio sucesso ou de sua própria queda. Exercitando os esforços próprios de sua inteligência e determinação, cada pessoa cresce em sua humanidade e pode magnificar o seu valor próprio, tornando cada vez mais uma pessoa [em toda sua essência]".

Num estágio mais contemporâneo , os Católicos seguiram a seguinte polarização perigosa: Ou seguiram um rumo de politização inconseqüente, na qual a dignidade da individualidade é sacrificada pelo suposto bem da coletividade e no qual o envolvimento político é substituto da conscientização religiosa (horizontalização ad absurdum); ou voltaram a enfocar o aspecto místico-carismático da fé, divorciando-se da realidade e gerando uma espiritualização danosa que voltará a alijar o valor intrínseco do trabalho e do progresso pessoal, que volta a ser caracterizado como "ocupação mundana".

6. Recaídas Recentes do Campo Evangélico. Evangélicos contemporâneos, abandonando progressivamente os princípios da Reforma do Século XVI (e a visão judaico-cristã), caíram de volta nos mesmos erros do catolicismo de Tomás de Aquino e têm promovido uma dissociação do secular e do sagrado. Ênfase única na vida após vida. Salvação = alienação do presente. Por outro lado, o ramo mais populista, que anseia por reconhecimento evangélico, prega uma visão materialista da religião (contradição) na qual os anseios meramente financeiros e de bem estar social se equacionam com o "estar de bem com Deus".

Conclusão - Essas questões parecem meras considerações filosóficas, mas de nossa visualização do trabalho depende o nosso bem estar e a nossa abordagem sobre muitas questões importantes em nossa vida. Não devemos perder de vista o caráter sagrado do trabalho. O seu enraizamento com as atividades e as prescrições de vida emanadas do Criador. Nossa vida é integralmente uma vida emanada de Deus e deve ser vivida, em todas as suas facetas, direcionadas a Ele, com toda honestidade e propriedade. Só assim encontramos tranqüilidade e sentido em nossa existência. Na maioria das vezes passamos a vida envolvidos com o trabalho sem refletirmos o porque ou propósito disso. Nos sentimos prisioneiros de um círculo vicioso, onde:

· Trabalhamos para sobreviver, e as necessidades do termo vago "sobrevivência" parecem crescer em uma espiral ascendente sem término.

· Trabalhamos para manter as aparências junto aos nossos subordinados e superiores, sem um conceito maior de chamado.

· Trabalhamos para preencher o tempo, sempre com vistas à próxima folga, férias ou final de semana, colocando ali os nossos anseios e razão de existir - ou seja, trabalhamos de mal grado, engolindo o mal necessário.

É de grande conforto, quando consideramos o trabalho uma missão recebida do Criador, termos a satisfação de estarmos envolvidos nesse domínio do universo, com nossa pequena parcela de contribuição, concentrados nos ideais maiores de nossa vida.

ESBOÇO de PALESTRA DADA na Gutemberg Consultores SC/Ltda, em 14.03.2002

Fonte: http://www.solanoportela.net/palestras/trabalho.htm

Todas oficinas

Veja a relação de todas as 9 oficinas com seus respectivos palestrantes:

Todas as oficinas abaixo acontecerão em dois horários: 13h30 e 15h30.

Faça sua inscrição no link ao lado.

Ação Social: Major Paulo Soares

Oficial/Pastor do Exército de Salvação desde 1985, casado e pai de dois filhos.

Atou na área evangelística, assistencial e de apoio a comunidades de diferentes localidades do Brasil.

Atualmente trabalha no Departamento Nacional de Publicações; é o Editor Chefe da revista RUMO e está concluindo seu curso de Jornalismo.

Família: Rev. Cícero Brasil Ferraz

Brasileiro, casado, 50 anos

Pastor da Igreja Presbiteriana de Vila Maria

Perfil Profissional

* Bacharel em teologia - Seminário SPS – Presbiteriano do Sul;
* Curso de especialização : Crescimento da Igreja Local - Wheaton, Illinois USA;
* Psicanalista - SPOB – Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil;
* Conferencista: Distúrbio do comportamento em diversas faculdades na capital e interior de São Paulo;
* Conselheiro clínico por 30 anos.

Lei e Graça: Mauro Fernando Meister

Conheça seu perfil: http://www.mackenzie.br/mauro_fernando.html


Mercado de Trabalho: Luis Cavalcante

38 anos, casado com Meire e pai da Rebeca. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Osasco (IPO), atuando como professor da Escola Dominical e Diretor do IBER – Instituto Bíblico de Educação Reformada ( http://iber-ipo.blogspot.com ) e responsável pela disciplina Cosmovisão Cristã Reformada na Educação, Cultura e Sociedade. Diretor do Instituto de Educação e Cultura Reformada com o objetivo de Reformar a Educação e Cultura Brasileira com pressupostos calvinista, reformacional e teonomista. Formação em Teologia (IBAD/SP), Contabilista (CRC 1SP171982/O-1), Bacharel em Ciências Econômicas (UBC/UFPE/Centro Universitário UniSantanna), Especialista em Administração e Educação (Unisa e Uninove).

Acadêmico de Direito (Unifieo) e Professor Universitário em diversas faculdades de Osasco e região. Consultor e Palestrante Empresarial nas áreas de Administração, Economia e Contabilidade relacionando com os aspectos de liderança, trabalho em equipe, vendas, ética, moral, espiritualidade, finanças e estratégias. Autor do livro: Professor Reformado – Educando com excelência no ensino superior (no prelo) .


Missões Urbanas: Thiago Torres

Nascido em 06 de fevereiro de 1984 na cidade de São Paulo, Thiago Torres é fundador da Associação de Jovens Makanudos de Javeh (http://www.makanudos.org), uma ONG que atua em escolas públicas carentes.

Atualmente desenvolve projetos como diretor da ONG e trabalha como consultor para lideranças de jovens, preparando e comicionando-os para pregação da Palavra em centros urbanos.

Tem participação em projetos evangelísticos em escolas, teatros, praças públicas e treinamento para missões urbanas.


Política: Vereador Carlos Bezerra Junior

Carlos Bezerra Jr. é médico, pastor, vereador de São Paulo e líder do PSDB na Câmara. É o criador do Programa Mãe Paulistana, da Prefeitura, e do Programa de Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes, além de ser o relator da CPI da “Pedofilia” e do Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil. Bezerra Jr. é o idealizador do projeto “Usina 21 – Jovens, Idéias e Transformação Social”, evento anual voltado para o engajamento social da juventude evangélica.


Sustentabilidade: Marcos Franqui Custódio

Químico, formado pela USP, Mestre em Ciência dos Alimentos-UNESP, foi presidente-fundador e atualmente é o Diretor Nacional d´A Rocha Brasil (www.arocha.org.br), ONG ambiental cristã de pesquisa e conservação do meio ambiente.

Atuou, durante alguns anos em empresas na área de Gestão da Qualidade, fez parte da Aliança Bíblica Universitária (ABU) e também já foi tesoureiro e vice-presidente da Sociedade Beneficiente Evangélica de Ribeirão Preto (SOBERP).

É membro da Comunidade Presbiteriana em Indaiatuba-SP.


Universidade: Missionária Mariana Lima

Mariana Lima tem 28 anos, mora em São Paulo e é solteira. Formada em Comunicação Social, trabalhou durante 9 anos como Relações Públicas, atuando em marketing estratégico, pesquisa mercadológica e gestão de projetos.

Hoje é missionária da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo (http://www.cepc.org.br), e seu desafio é alcançar profissionais dentro do ambiente de trabalho.

Membro da Igreja Presbiteriana do Ipiranga.


Vícios: Rev. Yon Morato

Rev. Yon Morato é mestre em Ciência da Religião, formado em Letras e Teologia.

Palestrante, conferencista e professor por muitos anos, atualmente serve ao Senhor Jesus na IPB como pastor auxiliar na IP Vila Mariana a serviço na Congregação do Ipiranga.

Tem formação missionária e trabalha falando do Messias ao povo de Israel, alertando e ensinando sobre seitas e heresias e tem um ministério com jovens e adolescentes para evangelismo e discipulado. Conheça mais no www.facasuavidavalerapena.com.br ou http://yonmorato.multiply.com.

Servo de Jesus Cristo.


http://www.umpsaopaulo.com.br/todas-oficinas.html

Oficina: Mercado de Trabalho

Conheça o palestrante desta oficina: Luis Cavalcante

38 anos, casado com Meire e pai da Rebeca. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Osasco (IPO), atuando como professor da Escola Dominical e Diretor do IBER – Instituto Bíblico de Educação Reformada ( http://iber-ipo.blogspot.com ) e responsável pela disciplina Cosmovisão Cristã Reformada na Educação, Cultura e Sociedade. Diretor do Instituto de Educação e Cultura Reformada com o objetivo de Reformar a Educação e Cultura Brasileira com pressupostos calvinista, reformacional e teonomista. Formação em Teologia (IBAD/SP), Contabilista (CRC 1SP171982/O-1), Bacharel em Ciências Econômicas (UBC/UFPE/Centro Universitário UniSantanna), Especialista em Administração e Educação (Unisa e Uninove).

Acadêmico de Direito (Unifieo) e Professor Universitário em diversas faculdades de Osasco e região. Consultor e Palestrante Empresarial nas áreas de Administração, Economia e Contabilidade relacionando com os aspectos de liderança, trabalho em equipe, vendas, ética, moral, espiritualidade, finanças e estratégias. Autor do livro: Professor Reformado – Educando com excelência no ensino superior (no prelo) .

Todos os palestrantes foram convidados a trazerem dentro do tema "Eu Tenho Essa Chama", além do conteúdo teórico e suas experiências vividas, um desafio prático para todos os seus participantes. A idéia é criar um bagagem teórica e prática para o que será ouvido em cada oficina.

http://www.umpsaopaulo.com.br/mercado-de-trabalho/82-dia-m-2009/227-oficina-mercado-de-trabalho.html